quinta-feira, 29 de abril de 2010

palavras ao vento

A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso! Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo".
Com D , se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro.
O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta pior que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... De "tanto", um muito que até ficou tonto... De "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro.




Adriana Falcão

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tardes vazias? jamais.

Alô? Oi, é você. Se eu vou fazer alguma coisa a tarde? Claro que não, parece que não me conhece. Tá, que horas? A de sempre não é? Ri. Tá, eu chego antes de tu sair, beijos. Chegando lá, um monte de gente bonita, feia, besta, simpática, mal humorada, e com roupas iguais, afinal isso é uma escola. Lá vem ela. Dá um sorriso e em seguida em abraço. Pronto. Vamos pra onde? Pra onde você quer ir? Centro? Estúdio? Shopping? Bater as canetas, pra não chamar de pernas? Vamos lá, tornar essa minha cor de doce de leite em açúcar queimado. Como andam as coisas? Sempre bem? A minha? Daquele jeito que eu te falei ontem, lembra? Pois é, o mesmo problema, a mesma tecla, os relacionamentos conturbados. Olha aquele. Olha aquela. Namorada de quem? Serio? Poxa, mundo pequeno esse. De quem é a mensagem que chegou? Vixi, o que diz? Deixa, deixa assim. Vamos comer alguma coisa? Sem fome? Sempre né? Tem um sofázinho lá em cima, bô? Senta a e. Pêra, vou tirar uma foto. Pronta. Ficou boa, ela e mais uns 15 efeitos do meu photoscape fica perfeição. Cinema pode ser. Que horas? Tá, eu venho. E ele? Vai nos matar num acha não? É, eu também num ligo muito não, mas borá. Já deu a hora? Fim de tarde né? Vamos? Tá, tenho que andar tudo isso ainda? Tá ta, borá. Posso te confessar uma coisa? Sim. Tardes vazias jamais.





millin albuquerque'

Mesclado


Cada palavra que um dia saiu, e um dia que há de sair de sua boca é ela. Ele vai ser sempre ela, mais do que já foi qualquer outra que já teve. É ela no modo de vestir, é ela no modo de agir, é só ela. Nenhuma outra que aparecer na vida dele vai conseguir apagar o passado entranhado nele. Aquele passado de risadas e brincadeiras. E um passado que cumpre a promessa de que ao tempo Dele tudo voltara ao seu devido lugar. /É, na verdade sempre foi ela, ele que quis se auto-enganar ao pensar que o que se foi não volta mais. Mas tudo isso se chama “óculos de enganação”, quando ele não quer ver, para depois conseqüentemente sentir alguma coisa, ele coloca esse óculos, ae tudo que ele vê ou pensa vira o contrario do pensamento momentâneo. E ele nessa farsa de emoções, acha que vai enganar alguém. Qualquer um que passa por ele consegue ver ela estampada no seu peito. Essa farsa só vai fazer ele enganar a si próprio. Seus óculos só servem pra ele tentar amenizar uma dor imensurável que existe mesmo em cada falso sorriso. /Hoje ele nem conta mais os dias para vê-la novamente, como de costume. Antes ele sabia cronometrado o momento certo da volta, dos vais e vens do seu antigo relacionamento, mas hoje, ele não conseguiu surrealizar em pensamento assim, não consegui nem imaginar como será essa volta que de tão esperada fede a mofo. E ele hoje só espera que o tempo passe, que a dor se acabe, e que um dia enfim ela esteja ao seu lado novamente. Só pra mostrar aos que duvidaram um amor de verdade. Mostrar que ele pode fazer de verdade. E que o amor de verdade não tem tempo, nem lugar. E também não é só o querer esta, tem que poder esta. Enquanto a hora não chaga, você pode vê-lo nos mesmos lugares, se divertindo com garotas que depois mal lembra o nome, de tanto que o nome dela ainda o preenche. /Enfim, que venha esse dia que nem esperado mais é, que venha o amor verdadeiro e junto com ele o fim dessa dor que de tanto doer, corroeu todo o meu ser. Minha alma já nem tem mais forças para poder se mover diante tanta desilusão, em meio da tanta pancada dada e levada. Mas é isso, bem vindo a vida de quem prefere morrer de amor, e não de completude cheia de farsa.

millin albuquerque & jess torres'

segunda-feira, 26 de abril de 2010

escolhas de uma vida


A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços... Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações. Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...! Pedro Bial

p.s.: escolha enquanto há tempo, e saiba que estarei aqui em qualquer escolha. tenho fé em vs, e fé é acreditar sem precisar de provas, lembra? amo vs (L' ♥

sábado, 24 de abril de 2010

o começo do fim.


uma hora acaba. por mais que se tente, por mais que se faça, uma hora acaba. E cada um vai pro seu aldo, seguindo com suas lembranças e mágoas. E as únicas perguntas que ficam na mente é: onde foi que eu errei? onde tudo começou a dar errado? ou será que nunca deu certo? E procurando motivos e explicações para o fim, a gente acaba se perdendo nas nossas memórias. Em um minuto vemos a vida que construímos e destruímos ao lado do outro. Vemos aquelas mínimas falhas que a gente nem sabia que magoava o outro. Era só o jeito de falar ao telefone, ou uma palavra de carinho que o outro esperava ouvir, ou até mesmo aquela palavra grosseira que soltamos sem querer. E machuca. Machuca sem sentir. Machuca por agir, e por não agir e simplesmente machuca. E isso vai aumentando a cada dia sem a gente perceber e se torna uma bola de neve. E de repente, a gente vê que o amor que a gente sente por aquela pessoa não é o bastante para continuarmos ao lado dela. E antes do fim, a gente vê que nada foi em vão, tudo vai ficar pra sempre com a gente, o sofrimento vai servir pro nosso bem. Nada é marketing, nada é mentira. E até mesmo nas mentiras existe a verdade. A verdade do quanto é era bom estar com aquela pessoa, o quanto ela vai fazer falta. Mas, se o coração não aguenta mais, acabar vai ser melhor. E uma hora acaba. Sempre acaba.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

se importa?


não posso dizer-lhes que a sua existência não muda a minha, também não o digo que o que fazes é algo com o que não me aflijo. Porque hoje tua respiração e o bater do teu coração é o motivo por cada passo, cada gesto, cada suspiro de vida que há em mim. é o motivo pelo qual meu mundo gira. Porque o dizes faz eco na minha alma, de tão entranhado que estás no que sou. Palavras ferem, frases suas me desmancham, e dizer que não importo seria uma 'blasfêmia'. Me importo com quem estás, o que faz, e aonde vais. Me importo tanto contigo que esqueço de se importar comigo. não porque não me valorize, mas porque é assim mesmo que os apaixonados fazem, esquecem de si para se doar ao outro. E hoje, me importando tanto com você, queria que tivesse ficado aqui ao meu lado, queria que não tivesse saído por aquele portão para ir para aquele inferno, e te amo tanto, tanto, que te deixo livre. Quero você livre, e feliz. Queria tê-lo aqui do meu lado enquanto estou a escrever esse texto, porque a dor mais forte de um apaixonado é de estar longe do ser amado, e eu te amo. Será que podia por favor não perguntar se eu quero que você fique? porque a minha resposta seria sempre sim, sim, sim. Quero você seguro no seu lar. Quero você seguro dos outros. Quero você seguro para mim. Sou altamente possessiva e ciumenta. Surpreso? eu não. Tenho ataques de loucura quando você sai, penso besteiras, e acabo quase sempre chorando. Eu sei que sou louca. Surpreso? eu não. Sou louca, ciumenta, o que quiser. contanto, que você ainda esteja aqui, e que você se importe. Agora, antes que meu coração pare de bater, e todas as minhas veias se explodam, pode me dizer, por favor uma coisa... se importa?

sábado, 17 de abril de 2010

Nem meias verdades, nem meias palavras


Não quero meias palavras, não quero meios amores, nem meias verdades. Quero saber o quanto me ama, o quanto gosta de mim. Me fale o que não gosta, e o que gosta. Diga que odeia minhas vontades malucas e segundos depois diga que ama todos esses meus impulsos. Só quero ouvir da sua boca mais uma vez que está com raiva de mim, pra eu poder correr como uma louca para salvar as nossas vidas, e salvar minha sanidade. Nossos desentendimentos são irracionais, são sem nexo, sem porque. A gente só quer se ter, a gente só quer se amar. E a pedrinha do nosso sapato se transforma na rocha do nosso caminho. Pra falar a verdade, gosto de todas as nossas brigas, gosto de todos os palavrões, gosto de todas as palavras amargas. Enquanto você me xinga, eu só consegui ouvir: é eu gosto de você, eu te amo. Brigue comigo, mas, brigue com vontade. Pode brigar o quanto quiser, enquanto isso for sinal que você me ama, me xingue até ter um ataque do miocárdio. E todo esse amor que vem no ódio, é pra me dizer que você não ama pela metade, você me quer por inteira.

“ você diz que me quer com todas as minhas vírgulas. E eu te quero como meu ponto final.”