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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tô entrando numa nova onda ai. ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS!
Então, quem precisar me contatem por aqui, ou por e-mail.
Não se preocupe sua festa será magnífica!
beijos, Jessica Torres.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O mundo de Clarice por JESSICA TORRES

1º capítulo - Como tudo começou


"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatismo. E o amor, ao invés de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam."

Clarice Lispector

Ela fecha o livro, e respira fundo. "Não, não, o mundo não me agrada." Acaba repetindo aquilo como um mantra. No seu quarto decorados com fotos cheias de sorrisos e falsas felicidades, ela se sente bem. Bem melhor do que do outro lado da porta.

Passa a mão pela capa do livro, olha o escrito:

A DESCOBERTA DO MUNDO de CLARICE LISPECTOR

- Descobrir o mundo não é uma tarefa que é muito desejada por mim, e ao que me parece nem muito por você, né Clarice? - fala sozinha, olhando a capa do livro.

Alguém bate na porta, apesar de todos os avisos nela pra se manter longe.

- Vamos, Clarice! Vai se atrasar pro médico. - sua mãe, Rebecca, grita.

- Já vou! - ela responde.

Ainda de camisola de dormir, tira suas roupas e procura algo bem confortável. Acha seu jeans surrado e sua camiseta preta, calça sua bota e pronto. Desce a escada e se depara com o que para muitos de fora é uma família feliz. Na verdade, nem tanto.

Seu pai, Flávio, há tempos que se separar, tem até outra mulher, a Carol; mas, para manter as aparências e não traumatizar seus filhos que ainda sua mulher. A Rebecca, por sua vez, sabe de tudo, mas, prefere gastar dinheiro no cartão de crédito dele, do que se divorciar e ganhar uma mesadinha.

- E aí pai? Vamos? - Clarice apressa, para não ficar perto dos dois por muito tempo.

Flávio dá um beijo em Rebecca, e Clarice fica a se perguntar o porque que eles continuam com essa farsa. Afinal, se é por medo de traumatizar os filhos, com isso não tem que se preocupar. Os dois já estão no psicológo.

Clarice desce do carro, em frente do consultório, sem olhar pra trás pra se despedir de seu pai. Aqueles corredores da entrada já são conhecidos, brancos, longos, e frustrantes. Ela se impressiona de como tratam pessoas em um local tão deprimente. Ao chegar na sala do Doutor Mauricio, ele já está a sua espera.

Ela se senta no divã, como toda semana, e ele faz sempre as mesmas perguntas. Como você está sentindo hoje? Alguma novidade? Ela acha aquilo completamente desnecessário. O que ela for falar pra ele, poderia falar a sua amiga, melhor dizendo, melhor amiga Jane. Mas, ela pensa melhor e vê que nem tudo que ela conta ali poderia contar pra ela. Depois de relutar, ela começa seu monólogo semanal.

- Bom, desde semana passada que me tranco no quarto, o senhor sabe, é mais fácil conviver com as coisas se você não se obriga a ficar o tempo inteira com ela. Então, eu chego em casa do colégio, pego meu almoço e subo pro meu quarto. Assisto Tv, durmo um pouco, e aí mergulho no mundo onde eu queria viver. O mundo dos livros. Esse sim é um mundo que me agrada... Já sei, já sei doutor, antes que você abra a boca pra dizer algo, eu já sei o que o senhor vai dizer. Que me esconder em um mundo de fantasia não vai fazer com que deixe de existir os problemas que existem em mundo real. Mas, ameniza a dor sabe? Eu tenho 16 anos, tive um namorada na segunda série, e nunca mais gostei de ninguém. Meus pais fingem que estão felizes juntos, eu tenho uma única amiga e a minha vida se resume a viajar em um mundo imaginário perfeito. Você acha realmente que não dói? Sabe o que mais me irrita? Que eu poderia sim mudar. Que eu poderia sim, ser mais sociável, me abrir com meus pais, conhecer novas pessoas. Mas, só em pensar nisso me dá nojo. Esse mundo me dá nojo, com esse monte de gente hipócrita.

- Como você sabe se esse mundo é tão ruim assim, se você ainda não sai nem do seu quarto?

Clarice se calou imediatamente. Aquelas palavras penetraram a alma dela, e foi como um tapa. Com muita educação pediu para se retirar mais cedo, e o doutor não retrucou.

Saiu do consultório ainda pensando, em como seria sair pro mundo. Seria tão nojento assim? Perambulou pelas ruas para ver se encontrava algo que se encaixava na visão de mundo real perfeito do doutor. Encontrou um bêbado, em uma esquina qualquer, ele com um cheiro de cachaça muito forte, cambaleando e cantando um velha canção que ela mesma não conhecia. E ele parecia não ter um centavo no bolso, não parecia ter pra onde ir quando a noite chegasse, não parecia ter família, mas, ainda assim, cantava alegremente.

Clarice naquele momento se decidia.

- Está na hora de mudar isso... Eu não posso mais ser assim. Vou abrir minha boca, e vou cantar... e cantar... e cantar... Até minha garganta não aguentar mais.

Foi ai que Clarice entrou em um shopping próximo dali, ela não sabia mas depois desse dia sua vida nunca mais seria a mesma.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011



Os outros eu conheci por acaso. Você eu encontrei porque era preciso.
Guimarães Rosa

Feridas


Você nunca me doeu tanto. Me sinto como se só eu tivesse sofrendo com isso. Como se você nunca tivesse se importado na verdade, e que tudo isso tenha sido muito fácil pra você. Me sinto tão mal e você nem aí, passa por mim com seus óculos escuros, seu violão nas costas e nem olha pra trás. E eu também no olho pra trás pra ver pra onde você tá indo, só pra fingir que não me importo. Só pra ser mais como você. Mas, eu não sou. Eu me importo. Sinto muito.